5 de fevereiro de 2010

Crônica


Por Gildázio Vieira
gilvisan@sunrise.ch

MISTRONGUE

1970, recenseamento demográfico. Eu participei. Meu setor era lá pras bandas da boca da Caatinga. Ninguém queria por ser longe demais, sobrou pra mim. Na época,  não tínhamos motos, eu fui montado no Pindolosca que, quando descobriu ser longa a viagem quis empacar, nunca usei esporas, apenas um cipózinho e sem mesmo usá-lo, apenas uma boa conversa ao pé do ouvido (contei prá ele que precisava muito daquele dinheiro) ele concordou e prá lá fomos.
Sempre respeitei o sigilo, as informações que nos eram dadas nunca vazaram, por isso ninguém soube de “Mistrongue”, mas o tempo passou e hoje falo sobre “Mistrongue”. Como todos sabem, em 1969, o HOMEM foi à lua e Neil Armstrong o primeiro a pisar no nosso satélite natural, agora alguns de vocês começam a me entender.
Pois é, numa das perguntas, a quantidade de filhos e nomes, eis que uma senhora muito gentil me disse: esse é o meu segundo filho, o MISTRONGUE de 1 ano, eu fiz ouvidos mocos e perguntei: como ele se chama? Ela repetiu: MISTRONGUE, quando ele nasceu meu irmão que mora em São Paulo estava aqui passeando e colocou esse nome nele, ele disse que é nome de um homem poderoso, foi até na lua; tudo bem, coloquei Mistrongue. E me lembro do sobrenome, mas, por respeito não o registro aqui, mas me lembro perfeitamente: Mistrongue era uma criança bonita, brincava nu no piso de terra da casinha de pau a pique, casa de enchimento como eram conhecidas essas casas.
Terminou o censo demográfico, fui prá São Paulo, lá fiz algumas amizades, amigos e amigas que nunca mais vi, mas a internet aproxima e reaproxima as pessoas, daqui da Suíça voltei a ter contato com uma amiga de muito tempo, ela é psicóloga de uma grande multinacional.
No ano 2002, numa das minhas idas ao Brasil, ela me disse: você precisa vir à minha casa, me ver e conhecer os homens da minha vida (o marido e 2 filhos) combinamos e fui, abraços e beijos saudosos no encontro e depois as conversas, foi quando ela me disse: entrevistei hoje um rapaz lá da sua terra, Sebastião Laranjeiras, rapaz inteligente e candidato eleito a um bom cargo lá na empresa e continuou, mas achei tão estranho o seu nome, veja só, o rapaz se chama MISTRONGUE, me espantei e ela me perguntou: você o conhece? Contei-lhe o que se passou e falei pra mim mesmo:






QUE MUNDO PEQUENO!




O cronista oficial da Folha Sebastianense estará de férias. Para os leitores não ficarem sem crônica, vamos realizar um concurso cultural onde qualquer pessoa possa participar com sua obra, que seja de sua própria autoria, que não agrida, denigra ou difame a outrem. As crônicas recebidas serão analisadas por todos os componentes da Folha Sebastianense e o Cronista oficial, Sr. Gildázio Vieira escolherá aquela que ganhará e figurará no espaço da crônica do mês de abril. O autor da crônica escolhida ganhará o prêmio de R$ 100,00 (Cem reais). Receberemos até o dia 31/03/2010 através dos seguintes meios: E-mail faleconosco@folhasebastianense.com.br ou sebastiaolaranjeiras@gmail.com Pessoalmente ou pelo correio: Boletim Informativo Folha Sebastianense Povoado Mato Grosso, S/N - Zona Rural 46450-000 - Sebastião Laranjeiras - BA
Comentários
1 Comentários

Um comentário :

conterrânea disse...

MUNDÃO DE DEUS!!! Como Diz Dely Vieira.
Apesar de MUNDÂO, muitas vezes pequeno quando deparamos com acontecimentos como esse da crônica.
Gostei da história.
Parabéns ao cronista.

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